quarta-feira, 23 de outubro de 2013

A TV aberta está cada vez mais popular

Christina Rocha apresentava o "Casos de Família"
EXTRA! EXTRA! A NOVA CLASSE C ESTÁ DOMINANDO A TV ABERTA!
A classe C, mais conhecida como ‘A Nova Classe Média’, ascendeu bastante nos últimos anos. Segundo dados do IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), esse grupo passou de 26% para 30% do total do consumo em 1993, para 31% em 1996 e para 34% em 2000. Até 1996, houve uma ascensão social generalizada. Desde então, a única classe que apresentou crescimento foi a C.
“Cerca de 40 milhões chegaram à classe média [do início de 2003 até maio de 2011]. E chegaram à classe média vindos das camadas mais pobres da população. Para a gente ter uma noção desta proporção é como se, neste período, nós tirássemos da pobreza, que elevássemos, toda Argentina. [...] Nós sabemos que este processo vai continuar, tem o empenho do governo brasileiro”, disse a presidente Dilma Rousseff em entrevista coletiva durante a comemoração do aniversário de 60 anos do jornal O Dia, no Rio de Janeiro.
Considerada uma emissora “elitista” por ter programação baseada em formatos norte-americanos e que nem sempre retratavam a realidade brasileira, a Rede Globo de Televisão decidiu popularizar sua programação para atingir a Classe C. O famoso “Padrão Globo de Qualidade” entrou em ação junto com novas formas de se fazer produtos televisivos, proporcionando um diálogo ainda mais contundente com os integrantes da nova classe média, que abarca cerca 110 milhões de pessoas no Brasil, segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A partir disso, surgiram programas como o ‘Esquenta!’ e novelas com as temáticas abordadas em ‘Avenida Brasil’ (#sddsCarminha).
Outro exemplo importante é o talk show matutino ‘Encontro’. Desde o início, uma das ordens principais na emissora carioca era deixar o novo programa de Fátima Bernardes bem popular, reforçando a figura da mulher que é mãe de trigêmeos, dona de casa e ainda trabalha fora e fez uma carreira de sucesso. Os diretores da emissora temem que a jornalista não consiga se desvencilhar da imagem “intocável” e “inatingível” que ela construiu ao longo da carreira na bancada do ‘Jornal Nacional’ (também reformulado para uma linguagem menos árida).
Mas não só a Globo está de olho nessa fatia. A popularização também foi adotada no jornalismo ocorre na TV Bandeirantes, que baniu expressões como “alimento transgênico” e substituiu para “alimento geneticamente modificado” (não vejo muita diferença nas duas expressões, porém a segunda define melhor mesmo). O programa ‘Custe o Que Custar’, formato argentino que tem como tradição fazer jornalismo político com bom humor, investe no Brasil em pautas com personalidades e temas populares, como a cobertura de eventos com celebridades.
Já o SBT, tradicionalmente voltado para a classe C com seus telebarracos, game shows e programas sensacionalistas, perdeu nos últimos anos a vice-liderança em audiência para a Rede Record, que investiu pesado em novelas e programas de auditórios. Até o departamento de jornalismo da emissora foi reconfigurado, agora dando mais destaque ao noticiário policial e de cotidiano em produtos como o ‘Jornal da Record’, ‘Domingo Espetacular’ e, claro, o ‘Cidade Alerta’.
A guerra entre as duas empresas ficou tão acirrada que Raul Gil resolveu fazer jus ao apelido do SBT, apelidada nos fóruns de discussão como “emissora de empregada doméstica” (Micheline Borges não curtiu isso), lançou em 2011 um concurso de beleza tendo as profissionais do lar como protagonistas. A programação do canal também voltou a ser bombardeada por dramalhões mexicanos e programas popularescos, como o talk show ‘Casos de Família’ – cancelado recentemente – e o ‘Programa do Ratinho’.
Não se sabe onde isso vai dar e é muito importante que a televisão se reconfigure e saia da zona de conforto. Entretanto, é preciso tomar cuidado: assim como a Classe C cresceu, o nível sociocultural da população brasileira também está cada vez maior. Os produtores de TV não podem se perder e comprar a ideia de que somente baixaria e polêmica consegue atingir bons índices de audiência. É preciso ter criatividade, acima de tudo.
Diretor de TV diz que Classes A e B podem deixar de ver televisão aberta
Eduardo Gaspar, diretor do programa ‘Dia Dia’, da TV Bandeirantes, afirma que a televisão aberta está passando por uma drástica transformação. Com experiência de trabalho em produtos de sucesso, como os reality shows ‘A Fazenda’ (Rede Record), ‘Busão do Brasil’ (TV Bandeirantes) e o game ‘Quem Fica em Pé?’, ele ainda acredita que o Brasil está aprendendo a passos lentos a lidar com esse novo público
Como a TV aberta está lidando com o crescimento da Classe C no país?
Assim como o país passa por uma reformulação com a ascendência da classe C, a TV acompanha este mesmo movimento. A forma de pensar e gerir conteúdos passa por uma transformação importante. A pesquisa atual está acerca do que esse público quer assistir e consumir. Como profissional, acho fundamental este momento para que a televisão no Brasil possa se reinventar. Este é o maior desafio. Não perder o foco de ser um veículo de entretenimento e informação. É preciso cautela para que o desespero e o despreparo para atender esta classe emergente faça com que a TV perca de vez o rumo. Como disse João Emanuel Carneiro em entrevista à revista Joyce Pascovitch, “o Brasil está em crescente evolução, porém um desenfreado. Estamos correndo o risco de nos tornar um país rico financeiramente e pobre culturalmente”.
Como os produtores estão pensando em conteúdos voltados para esse público?
Ainda não há um formula concreta. Existem experiências que tentam “espelhar” esta nova e potente classe na TV. Se o caminho certo ou não, ainda não se sabe. Mas, as emissoras abertas estão experimentando. Com isso, há um risco de que a classe A e B possam perder cada vez mais o interesse por este meio de comunicação e fidelizar cada vez mais a busca por novos conteúdo oferecidos pela internet e pelas TVs pagas.
Com tantas mudanças, você acredita que a TV aberta está ameaçada?
Esta ameaça ainda está longe de se tornar realidade. Pesquisas de audiência apontam que as principais emissoras abertas é que são líderes entre todas as oferecidas pelos serviços de TV por assinatura. Essas mesmas pesquisas revelam que muitos acabam aderindo este serviço para melhoria do sinal que recebem em suas casas. Em longo prazo, com a mudança do hábito em assistir TV, pode ser que as emissoras passem por alguma forma de ameaça. Mas, isso em um longo prazo mesmo.

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