quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Confira a Trajetória de Nathalie Lartilleux como produtora da Televisa

NATHALIE LARTILLEUX, conhecida no final dos anos 90 e começo dos anos 2000 por ser a esposa e produtora associada das novelas de Salvador Mejía, trilhou seu próprio caminho a partir de 2004, mas mantendo uma linha bastante similar à do marido. Sua especialidade são as novelas rosas, ranço de Valentin Pimstein, e produziu vários sucessos, sempre com muitas críticas pelo estilo popularesco.


2004 – INOCENTE DE TI: Sua primeira produção foi uma jornada da Televisa para competir com as novelas que a Venevisión produzia em parceria com a Fonovideo, um estúdio em Miami. A ideia era cativar um público americano (composto por latinos de várias partes). E assim surgiu “Inocente de Ti”, remake de “Maria Mercedes”, lançando Camila Sodi, sobrinha da Thalia, como protagonista. Mas a novela não deu certo. A qualidade da produção em Miami era muito inferior à da Televisa, ou seja, não havia sentido nessa coprodução. E se nos Estados Unidos, as novelas de Miami da Televisa não tiveram aderência, no México menos ainda, haja a grande quantidade de atores desconhecidos no elenco. Esse remake estreou primeiro nos EUA, onde teve uma recepção bem fria. E no México, a situação foi ainda pior. A novela só foi apresentar uma melhor performance quando agregou elementos de outras histórias. O melhor da novela foi a atuação de Helena Rojo em papel duplo.


2005 – PEREGRINA: Um aguardado remake de “Kassandra”, de Delia Fiallo, sob a adaptação de Carlos Romero (não muito afeito com adaptações da escritora venezuelana). Dessa vez, a novela foi feita no México, mas a produção parecia de Miami: cenários pobres, caracterizações horríveis, e tiraram o maior charme do original: ter o universo cigano como pano de fundo. Além disso, a péssima escolha dos protagonistas, com o lançamento da fraquíssima Africa Zavalla como heroína, não ajudou em nada na repercussão da novela. Apesar de tudo, na reta final, a novela deu alguma recuperação. Mas obviamente era tarde: a novela foi um fracasso total e significou simplesmente o desperdício de uma das melhores histórias de Delia Fiallo.


2008 – CUIDADO CON EL ÁNGEL: Por fim, um êxito! O remake da história “Una Muchacha Llamada Milagros” era um projeto antigo e que quase saía do papel desde o final dos anos 90. Havia praticamente uma adaptação pronta de Carlos Romero. Como a novela foi parar no horário da tarde, muita coisa foi suavizada: o estupro da protagonista sumiu, houve a inserção de sonhos infantis de uma garotinha, e a novela caiu nas graças do público, boa parte por conta da química entre os protagonistas Maite Perroni e William Levy, que pela primeira vez, protagonizavam uma história. O elenco foi grandioso. A novela só não foi melhor porque houve um esticamento excessivo com uma trama muito distante da inicial que só serviu para desgastar a novela. 


2009 – MAR DE AMOR: O êxito da produção anterior fez a produtora ir parar no horário das 19h, onde produziu outra novela de Delia Fiallo, dessa vez numa tresloucada adaptação de Alberto Gómez. A novela começou promissora, mesmo com vários absurdos. Acontece que o que mais chamou a atenção foram os tumultuados bastidores: a constante indisciplina de Mario Cimarro, o protagonista, que o levou a discutir seriamente com Ninel Conde, e que culminou na demissão do ator nos últimos capítulos. Muita coisa foi feita para remendar esses capítulos finais, comprometendo a qualidade. Dentro da novela, o time de vilões foi o melhor dela (é uma especialidade do adaptador, aliás), que ofuscou o sem graça casal principal, que não tinha química nenhuma.


2011 – RAFAELA: Novamente uma trama de Delia Fiallo, mas com adaptadoras muito ruins. Era uma boa história, que caiu em mãos erradas. Nathalie lançava a venezuelana Scarlet Ortiz no México, mas o resultado passou despercebido. A novela foi um fracasso, e isso que, a princípio, algum capricho na produção chamou a atenção positivamente, com cenários melhores, por exemplo. A escolha do protagonista foi um erro, Jorge Poza funcionava melhor como coadjuvante. A história original foi substituída por outra, com a introdução de um novo interesse romântico para a mocinha, mas já era tarde. Em meio a tantas decisões ruins, ao menos Scarlet Ortiz defendeu bem sua protagonista, mas a sensação é que a novela poderia ter sido muito melhor do que foi.


2013 – CORAZÓN INDOMABLE: A adaptação desse remake de “Marimar” já estava pronta há um bom tempo. Era feita pelo mesmo Carlos Romero da original, e a novela foi novamente um retumbante sucesso. Uma das partes mais curiosas desse remake foi ter usado partes previstas para a “Marimar” original, mas que não foram feitas na época porque a novela foi encerrada abruptamente (toda a fase de Maricruz pobre por exemplo, e sua ida para a capital). Muito bem relacionada, Nathalie contou com um grande elenco. E novamente o clímax foi a humilhação sofrida pela vilã ao retirar papéis da lama. Daniel Arenas se revelou um bom protagonista, e Ana Brenda surpreendeu ao compor uma Marichuy própria, sem imitar Thalía. O sucesso foi tanto que, em várias ocasiões, mesmo exibida às 16h, a novela foi número 1 de audiência e foi seu maior sucesso, sem sombra de dúvidas.


2014 – LA GATA: Reciclando a mais clássica história de heroína pobre que se apaixona por um homem rico, Nathalie reuniu Maite Perroni e Daniel Arenas. A novela foi um sucesso de audiência, mas já não como “Cuidado con el Ángel” e “Corazón Indomable”. Aqui pesou a falta de uma melhor adaptação da história, absolutamente irreal para os dias de hoje. A caracterização pesada da protagonista tornou difícil vender a ideia de que um homem rico fosse se apaixonar por ela verdadeiramente. Não dá pra dizer que a novela tenha ido mal, de jeito nenhum, mas os motivos pelos quais a novela não foi o êxito que prometia são muito evidentes. Mesmo em meio a tanta irrealidade, foi notável o desempenho de Maite Perroni e Manuel Ojeda. Ou ainda a boa vontade de se gravar em um lixão de verdade, o que era um grande constraste com o resto da produção da novela.


2016 – UN CAMINO HACIA EL DESTINO – Esse remake baseado em uma novela da concorrência conseguiu algo notável: enquanto boa parte dos produtores passaram a experimentar novelas com linguagem diferente, tentando fugir dos padrões, essa, que era o extremo “mais do mesmo”, era a única a ter um real sucesso na grade. Não foi uma grande novela, mas apenas ao fato de não trair o formato “telenovela” fez dela uma boa opção para o horário. Além disso, provou que a força do arroz com feijão, se bem executado, não substitui coisas mais sofisticadas posando de vanguardistas. Só pesou um pouco que a produtora gastou a trama original antes do final, restando alguma enrolação final. Destaque para as presenças de Gustavo Rojo e Jorge Aravena, que vinham sendo desperdiçados, e aqui ganharam bons papéis.

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